CHÁ PRA DUAS



O relógio marcava 01:00 e o termômetro marcava 37 graus. Já era a terceira noite insone entre antialérgicos, inalações e chá quente com mel. Não, eu não estava morrendo, mas definitivamente não estava nos meus melhores dias. Meu estado era febril, meu corpo fervia por dentro, meus olhos ardiam e meu peito chiava a cada inspiro.

— Amor, o chá tá pronto. Já levo aí.

Ela entrou no quarto com minha caneca predileta — ela nunca se lembrava qual era, mas inconscientemente, sempre escolhia a certa — e no meio daquela noite turbulenta, das manhas, dos dengos, do vapor e dos gemidos de dor foi nas batidas do meu coração que ela resolveu reparar.

— Ô coração pra bater forte — disse, sorridente.

E eu quis responder, falar baixinho que não era pela gripe nem pela tentativa de respirar sem dor, mas por ela, e somente por ela, que ele acelerava e arrebentava meu peito dia após dia, desde a primeira vez que a vi. Eu quis responder, mas não pude. Uma lágrima de felicidade (sim, felicidade também faz chorar) escorreu pelo meu rosto e caiu no travesseiro.

Terminei o chá e deixei a caneca no criado mudo que já perdera as contas de quantas noites como aquela havia presenciado. Mas dessa vez era diferente. Dessa vez ele ficaria com duas marcas redondas na manhã seguinte. A olhei como quem tenta berrar um milhão de palavras, de gratidão em sua maioria, mas me calei. Sorrindo, fechei os olhos e adormeci.

Mais uma noite em par, em paz, com o coração a mil e o amor escorrendo como rio pelos meus olhos... Dela. Com ela. Por ela. Por nós.

♥ ♥ ♥

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