AINDA DÁ TEMPO DE ME ARREPENDER?



Devo aceitar os fatos e, de uma vez por todas, aceitar que quando te pedi pra sair da minha vida eu estava falando sério. Tão sério que desfiz tudo que me lembrava a gente juntos. O seu cheiro, por mais que eu quisesse não sentir, já estava impregnado por todo canto. Como pode? Parece de propósito. Parece que cada objeto teu espalhado pela casa foi pensado semanas antes.

A minha camisa favorita que se tornou a sua também jogada no teu canto da cama me fez pensar mais uma vez. Devia ter levado. Não é mais minha. Não quero mais. Essa mensagem pela manhã pra me lembrar de não esquecer a tv ligada antes de ir trabalhar, foi desnecessária. Me fez ler todas as outras que trocamos durante uma vida e, droga! Saí atrasado, a tv ficou ligada e quem se desligou fui eu. 

Qualquer passo dado é motivo pra lembrar. As músicas que marcaram insistem em tocar incansavelmente. O casal na minha frente me fez lembrar a gente. Descobri que o filme que queríamos ver entrou em cartaz. A coletânea das suas series preferidas esta em promoção. A mulher que trabalha comigo usa o mesmo perfume que o teu e sorri de canto de boca quando fica envergonhada, assim como você! Meu Deus. Tudo conspira ao seu favor. Nada por mim. Desejo  viajar pra Marte, quem sabe lá nada me leve a pensar nessa escolha que eu fiz.

Um menino no sinal me ofereceu balas em troca de moedas. Ele tinha uma humildade tamanha e um carisma fora do comum, o que me fez lembrar de você sempre manteiga derretida, falando dessa carência e eu racional demais pra prestar atenção. A moça que veio sentada ao meu lado no busão tem uma filha com teu nome, elas brigavam ao telefone e minha cabeça latejava cada vez que ela repetia o nome dela.

A minha preocupação escancarada no rosto gera questionamentos. Eu queria não falar, não ter que explicar nada pra ninguém. Eu também queria não confessar a falta que me faz e que a melancolia tomou conta da casa. Converso com aquele bichinho de pelúcia que te dei e se tornou o nosso mascote. Tem sido a minha única companhia nesses dias nublados. A vida tem sido injusta, eu sei. Cadê a calmaria e aquele clichê de que vai ficar tudo bem? O orgulho sempre fez parte da gente, mas resolvi deixar de lado. Ando perdendo tantas coisas boas da minha vida por conta dele.

Por isso quero que volte pra casa, pra mim e pro nosso mascote que está cansado das minhas confissões. Quero que a gente se entenda assim como das outras vezes. Quero tanta coisa, mas pra agora eu só quero dizer que mesmo eu sendo esse ser incompreensível as vezes, é você que eu quero. Acima de qualquer coisa e dificuldades é você que eu penso como meu ponto de paz. Volta pra gente se entender daquele jeito só nosso.

♥ ♥ ♥
ROGÉRIO OLIVEIRA
Escritor, publicitário, boêmio, amante da fotografia e da vida. Perceptivo e leitor de sentimentos alheios.

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