RELATOS DE UMA MENTE EXAUSTA.


 ♥ Ouça enquanto lê: Toni Ferreira - Repousar ♥ 

A vida tem a mania de nos dar a impressão de que quanto mais preguiça temos, mais rápido ela corre do lado de fora. Onde foram parar os meus "só mais cinco minutinhos"? Não, meu caro, ela não vai te dar nem dois, nem cinco, nem minuto algum. Cada segundo que se passa fazendo nada, tudo se perde.

Há quatro dias que tento escrever um texto e o cursor piscando na tela me lembra da minha falta de criatividade, segundo atrás de segundo. Há uma pilha de tarefas para as quais não tenho tido o menor interesse, ainda que algumas delas sejam minhas atividades prediletas. Tem faltado bastante interesse pra tudo ultimamente. Há uma meia largada na ponta do meu sofá, ao lado da capa do meu notebook, há, no mínimo, três dias. Passo por ela quando acordo e saio do quarto, mas nada faço. Gastaria não mais que dez segundos para guardá-la na gaveta do guarda roupas, mas não o fiz. E não sei explicar bem o porquê. Há muito para fazer e pouca vontade.

Abro, diariamente, minhas redes sociais para me distrair de sei lá o quê — provavelmente da realidade além do mundo virtual. Vejo os sorrisos dispostos às oito da manhã, os cafés na avenida principal, os óculos de sol, as cervejas nos bares. Vejo os rostos felizes, os textões moralistas e me pergunto: onde foi parar o meu ânimo? Cadê a minha empolgação? A vida parece passar, como num filme desinteressante, e eu continuo aqui, assistindo, sem saber bem o motivo, mas não participo e, vez ou outra, desconfio que também vivem como personagens algumas pessoas que ilustram as tais fotos que vejo e, sinceramente, ainda não descobri se eles estão piores ou melhores que eu. 

Poderia culpar os hormônios, mas sei que eles pouco tem a ver com isso. Ou não. Poderia culpar o frio, mas meu aquecedor, ligado quase o dia todo, não me deixa mentir dessa forma. Poderia, ainda, culpar os astros — a lua deve estar bem longe de capricórnio, o sol deve ter sumido pra alguma parte do Zodíaco que justifica minha falta de vontade para tudo e meu mau humor diário —, mas quem disse que entendo dessas coisas? Acho que nem o tal do mapa astral conseguiria me encontrar, estando eu mais perdida que geminiano em dia de votação. 

Poderia, ainda, culpar qualquer coisa que não fosse a minha infinita e incontrolável preguiça de viver. E não, não falo do sentido poético ou figurado. É do literal que tenho reclamado dia após dia. E não pára por aí. Tudo que começo parece ter tanto nexo quanto um cego escolhendo gravatas. "Qual a merda do sentido?" — grito, silenciosamente. Pra quê perder tempo escrevendo se tudo sai uma bosta? Se é só mais um texto que vai se perder entre curtidas, fotos de gato e correntes do Facebook. Com qual finalidade vou gastar minhas energias organizando algo, se mal consigo me organizar do lado de dentro? Como revisar uma crônica se mal consigo corrigir meus próprios erros?

E mais uma vez os dias vão passando, ou eu que estou passando por eles, tentando (re)encontrar o propósito de tudo, ou apenas o meu. Começo mais um conto que vai parar na pasta de "incompletos", desejando que a vida tenha uma pasta dessas por aí, pra eu descansar até o dia em que resolver continuar, até fazer sentido. Um dia, quem sabe, eu vá parar na pasta principal novamente.

♥ ♥ ♥ 



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