INSÔNIA NÃO É AUSÊNCIA. É EXCESSO.

insônia


06:00 - A madrugada está mais fria do que de costume, a cama parece maior do que realmente é e o travesseiro muito mais desconfortável. Para completar o quadro, o telefone não para de tocar. Uma mensagem seguida de outra. São amigos querendo saber se sobrevivi depois da noite passada, algumas palavras duras de um outro alguém e, claro, minha mãe querendo saber se estou viva. Até a operadora de telefone me mandou mensagem nessa madrugada, mas nada de você.

Nem mensagem, nem ligação ou qualquer sinal de que essa saudade também tenha tirado teu sono. Nenhum mísero indício de que há também em ti um vazio que carregue meu nome. Me conformo. Brigo com meu corpo, digo que quem manda na porra toda sou eu e tento dormir. Não deve ser tão difícil assim, né?

...

06:15 - Okay! É mais difícil do que imaginei. Entre um cochilo e outro percebo que algumas lágrimas escaparam dos meus olhos, enquanto minha memória, infeliz, me lembra uma música do Blink 182 e eu finjo que a letra não combina em nada com a minha realidade insone. Em vão. "I miss you... I cannot sleep, I cannot dream tonight...". Abro a galeria do meu celular e olho sua foto pela décima vez na última meia hora e, sem perceber, adormeço desejando não acordar antes do meio-dia.

...

06:55 - Acordo procurando outro corpo na cama, sem ter nenhuma lembrança do que fiz na última meia hora ou do por quê de você não estar ali. Tateio o lençol, desta vez em busca do celular. Depois de conferir o relógio e xingar minha insônia, olho sua foto mais uma vez e, novamente, lágrimas voltam a escapar. A impulsividade me pede pra te ligar, só pra te falar da falta que sinto e ouvir mais uma vez a sua-minha "voz de travesseiro", me atendendo com um Alô carregado de sono. Mas não liguei. Desisti de procurar o sono e fui em busca da minha caneta e do primeiro papel que encontrei pela frente.

"Hoje eu quis te ligar, de novo.

Queria contar que os últimos dias sem você tem sido vazios. Talvez não seja essa a melhor palavra. Foram chatos... Não, chatos também não. Já sei! Os dias sem você tem sido...normais.Preciso confessar que vivi alguns momentos intensos, divertidos e até — me atrevo — alegres. Ainda assim, foram apenas dias normais. E você bem sabe que o normal nunca me agradou.

Dias normais não são quentes nem frios. Não são bonitos nem feios. O sol brilha, mas não aquece. Também têm pôr-do-sol, mas nenhum que deixe o céu cor-de-rosa, daqueles que dão vontade de aplaudir. As noites são de céu limpo, mas sem estrelas. Dias normais tem risadas, mas não têm sorrisos. Tem abraços, mas não têm coração acelerado. Tem beijo, mas não têm falta de ar. Tem música, mas não tem sentido. Dias normais não tem você.

Queria ligar pra contar que na noite passada teu cheiro me fez uma visita, grudou na minha roupa e não quis ir embora, ainda que eu tenha implorado. De início julguei estar enlouquecendo, mas em pouco tempo me dei conta de que era um simples sinal. Meu corpo encontrara uma forma de me dizer onde e, principalmente, com quem queria estar...

Hoje eu quis te ligar, mas de novo, fui covarde perante meus medos. De novo, guardei você como uma lembrança bonita e inalcançável, daquelas que a gente guarda num potinho e abre quando adormece. Que possamos nos encontrar em sonhos com árvores azuis, rios de chocolate e as nuvens de algodão que você imaginou pra gente. Que façamos nossa a tua canção e que nosso castelo esteja de portas abertas, que é pra gente brincar de ser conto-de-fadas que acontece, só dessa vez..."

Interrompo mais uma carta que nunca será enviada e noto que gotas começam a cair na folha amarrotada, manchando a tinta fresca azul-cor-de-noite e borrando nossa história de ninar, ironicamente, imitando a vida.

Olho para o relógio e agora já passa das sete e meia. Imagino que você deva estar dentro de algum metrô lotado, carregando sua mochila entre as pernas e escolhendo alguma playlist que não te faça lembrar de mim. Os olhos pesam e percebo que o sono chega, devagarinho, sorrateiro. Ao redor tudo é silêncio e quase posso te ouvir sussurrando um "Durma bem". Sonolenta, adormeço deixando escapar...

— Durma bem também, meu amor.

♥ ♥ ♥ 

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