SER GENTIL É DE GRAÇA, ABUSE!




Hoje, pela manhã, assisti um vídeo sobre gentileza. Eu chorei.

Chorei ao observar ações que exemplificam perfeitamente o ditado "gentileza gera gentileza". Chorei por saber que essas mesmas ações precisam ser engrandecidas, precisam de campanha, de incentivo, de conscientização. Chorei ao observar a moça que segurou a porta para que outras pessoas pudessem passar, independente da idade ou condição física.



Fui trabalhar e, enquanto eu subia a escada, notei um senhor tentando, com enorme dificuldade, subir degrau por degrau. Imediatamente um rapaz se prontificou a ajudá-lo. Muitas pessoas — que passaram por ele e nada fizeram  se viraram para observar e, infelizmente, pude ouvir "Acha mesmo que eu, atrasada, vou parar pra isso? Não foi de elevador por que não quis". E eu estava longe demais pra conseguir dar a resposta que esse ser merecia. 



Cheguei ao trabalho e, como o espaço do hall é apertado para a quantidade de elevadores e funcionários que entram no mesmo horário, precisei pedir licença para passar. Recebi, como troca, olhares nervosos e impacientes. Senti como se atrapalhasse alguém. Mas, peraí, se eu estou passando e tem alguém no caminho, quem está "atrapalhando" quem? Agradeci, como sempre, e segui meu caminho. 

Na volta para casa, enquanto fumava um cigarro na porta da estação, vi uma moça sendo abordada por um morador de rua. Para a minha surpresa, ela não se assustou ou tentou desviar. Ela parou e tentou ouvir o que ele dizia.

— Você pode me dar um abraço?
— Oi?
— É, será que você poderia me dar um abraço? Eu queria lembrar como é o gosto de ser querido novamente. 

Em silêncio, ela o abraçou enquanto lágrimas corriam dos seus olhos. Ela não o conhecia, mas naquele momento, no meio daquele abraço, ele era parte dela. Ele sorriu. Choraram juntos e, acredito eu, aquele foi o "Obrigado" mais sincero que ela já recebeu. 

Enquanto escrevo essas palavras o meu interfone toca. Meu pastel chegou. Atendo e abro o portão para o entregador. Abro a porta do apartamento e aguardo. "Olha moça, se não fosse por mim você teria que descer, mas eu sou legal então eu subi. Tô lotado de entregas pra fazer, mas ninguém merece ter que descer, sair na rua essa hora, nesse frio, né?". Eu sorri e agradeci. Não está tão tarde assim. Eu moro no primeiro andar, não iria doer se eu tivesse que descer um lance de escadas. Mas ele subiu, por vontade própria, pra agradar. E ainda me perguntam por que é que eu não peço num lugar diferente. É que esse tipo de coisa a gente não encontra em qualquer esquina, infelizmente.

Eu poderia escrever alguns parágrafos refletindo sobre a ausência de gestos simples, delicados, mas gentis. Eu poderia discorrer sobre a futilidade que tomou conta das pessoas, mas não o farei. Cada um sabe o peso que sai dos ombros quando ajudamos o próximo. Caminhamos entre nuvens. O dia fica ensolarado e até o "trabalho" volta a ser "emprego". 

Hoje, pela manhã, assisti um vídeo sobre gentileza. Eu chorei, mas não deveria. 

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